20/08/2009

Realidade

Ah, se soubesse que eu catei as bitucas de cigarro só pra você não ficar chateado quando as visse, que limpei o cinzeiro, que tirei a poeira dos móveis e botei o lixo pra fora. Borrifei bom ar pela casa, pra não sentir o cheiro de nicotina. Reguei o jardim, juntei todos os meus papéis. Lavei a louça, comprei coisas pra por na geladeira. Troquei as toalhas, os sabonetes, abri as janelas pra ventilar a casa. Varri o chão, encerei o piso, limpei os vidros. Apanhei as roupas do varal, lavei as que estavam sujas, guardei as que estavam jogadas. Alinhei os sapatos, escondi meus remedios, escondi meu isqueiro. Limpei o fogão, passei um pano na mesa. Troquei o sofá de lugar, arrumei umas almofadas. Mudei de lençol, de travesseiro. Dediquei algumas horas a um desenho. Nele, todo o meu carinho.
Se você soubesse, você viria.

19/08/2009

Enquanto você grita, eu rio.

Primeiro com o bisturi. Isso, eu vou cortando aos poucos, bem devagar, vendo o sangue verter. Enquanto você grita, eu rio, rio muito.
Você tenta se esquivar, mas te amarrei bem demais pra conseguir fugir, quero cortar por entre os seus dedos. Um, dois, três, quatro, oito cortes. Vê como os seus dedos estão maiores agora, vê como a sua mão se abre bem. Vem cá, deixa eu puxar os seus dedos pra você ver, tá vendo como eles se afastam de uma forma bonita? Eu sei que você tem medo do sangue, mas olha, isso não é nem o começo.
As coisas seriam mais fáceis se você ficasse em silêncio. Prefere que eu te cale com cola ou com o grampeador? Isso meu bem, chega de batom vermelho, fecha a boquinha assim, fecha. Acho que vou primeiro grampear, depois eu finalizo com cola. Faz biquinho agora, como você fazia antes, faz. Isso, não precisa ter medo, nem vai doer. Viu? Um grampeadorzinho de nada, nem fez estrago algum. Já vou avisando que o cheiro da cola é forte, ela vai fazer os seus lábios arderem e os seus olhos lacrimejarem, mas calma, isso não é nem o começo.
Enquanto você grita, eu rio, rio muito.
Você está tremendo, deve ser o frio. Desculpa ter tirado a sua roupa, é que eu precisava ter certeza que não é isso tudo que diz ser.
Tá vendo esse martelo na minha mão? Não, não tenta gritar, isso vai rasgar o seu rostinho bonito. Shh...
Então, como eu ia dizendo, esse martelo aqui é pra quebrar os seus joelhos. Vai sentir uma forte pressão e um estalo, talvez até saia um pouco de sangue, mas vai ficar dormente e só vai sentir dor quando olhar pra baixo e ver as suas pernas tortas pra dentro, com os ossos apontando pra fora. Quer primeiro o direito ou o esquerdo? haha, se não disser, eu escolho sozinha.
Eu sempre quis fazer isso sabia? Sempre que assistia à filmes de terror e via o assassino arrastando o martelo no chão como estou fazendo agora eu me sentia extremamente tentada à ir atrás de você.
Está com medo? Se quiser eu ponho uma música, um filme, quem sabe. Só pra te acalmar.
Seus joelhos ficaram bonitos assim, não acha? Não? Se quiser eu posso bater com o martelo do lado de cá, pra ver se ele volta ao normal. haha, viu? Eu sabia que isso não daria certo!
Eu gosto de canivetes, eles sempre fazem um bom serviço. Não vai ficar ruborizada se eu pegar nesses seus peitos pequenos né? É só segurar na ponta e cortar fora, viu como é fácil?
Para de se mexer, ou eu vou ter que te bater na cara, sua piranha. Já disse, isso é só o começo.
Sabe que me arrependi de ter fechado esa sua boca? Pena eu não ter nada aqui pra tirar esses grampos, vai ter que ser na força mesmo. Ihh, tá rasgando. Ainda bem que você não vai mais precisar aparecer assim na frente de ninguém né?
Me deu uma vontade imensa de cagar e é isso que vou fazer. É por isso que to colocando luvas. Isso vai ser divertido. Come tudo agora, come tudo.
Juro que se não parar de vomitar no meu chão, faço você comer tudo de volta.
Ahhh, não vai chorar agora né? Deixa de ser mole, não vou dizer mais uma vez que eu posso ser bem pior do que já fui.
Espero que não tenha medo do escuro. Se sentir fome, come essa sujeira que você fez aí nas suas pernas, eu só volto amanhã.
Enquanto você grita, eu rio, rio muito.

01/08/2009

Não.

Bebi duas cervejas, comi uma porção de mandioca com molho rosé, pimenta e pouco sal. Gastei quatorze reais, pensei nos mesmos assuntos, me lembrei dos mesmos problemas. Coisas de sempre. Cheguei no meu prédio, vi uma loira feia se matando de olhar no espelho, entrei no elevador quase tendo uma convulsão de tanto rir. Peguei um yakult, sentei no sofá e não gostei do mau-humorado programa de humor que passava na televisão. Vim para o computador, vi o status e cheguei à conclusão de que (ele) ainda não estava na frente da TV, vendo o maldito filme.
Engasguei com o yakult, coloquei "Stand by me", dei boa noite pra minha mãe e acabei de desligar a TV. Acho que agora é a hora.

30/07/2009

21 guns

É arma demais pra mim.


(música que cheira)

25/07/2009

Um copo de vidro, um fone de ouvido

Um copo de vidro, um fone de ouvido, uma garrafa de coca-cola, um sutiã. Tudo em cima da mesa.
Edredon ou edredom velho, frio na cabeça, nostalgia que eu não tenho vontade de deixar ir embora. Hoje é dia de se lembrar daquela rua com marcas de pneus de bicicleta no chão. A mesma que me levou e me trouxe. A rua, não a bicicleta.
Nunca fui de ouvir Nando Reis, to ouvindo só pra me matar. Me disseram que todo esse esforço pra se lembrar é vontade de esquecer. Achei bonito na hora, depois descobri que era letra de música e passei a achar meio banal, talvez verdadeiro.
Vai ver eu gosto de ficar me martirizando assim. É que é bom lembrar daquele perfume, é divertido lembrar dos malucos correndo pelados no campo de futebol. Já faz tanto tempo que eu mal acredito, nem do rosto me lembro mais.
E agora estou me esforçando pra me lembrar. E talvez eu queira mesmo esquecer. E talvez eu só esteja escrevendo isso querendo acreditar que o blog é abandonado, mas no fundo com a esperança de isso ser lido.

Já passou, eu nem me lembro mais.