Hoje, só hoje, eu não queria ter acordado.
Queria ter continuado dormindo até me cansar de tanto dormir, até perder a vontade de ficar em coma.
Abro o olho e não tem ninguém do meu lado. Percorro a casa e não encontro ninguém. Perguntei ao porteiro e já faz uma hora que você saiu. Nenhum bilhete, nenhuma roupa, nem um beijo esquecido. Sumiu, assim.
16/05/2010
07/05/2010
Aleatórias sobre Madah
"Porque dar de graça é digno e receber pra dar não?", pensava Madah enquanto acariciava os pêlos do suvaco que começavam a crescer.
Madah também sabia que dali a pouco, nas perigosas horas da noite, o fantasma da saudade de alguns anos atrás a atormentaria. Não existe consolo que a console, nem mão que a satisfaça, nem macho que a acalme, porque só quem amou uma vez na vida sabe o gosto de ser só.
Madah também sabia que dali a pouco, nas perigosas horas da noite, o fantasma da saudade de alguns anos atrás a atormentaria. Não existe consolo que a console, nem mão que a satisfaça, nem macho que a acalme, porque só quem amou uma vez na vida sabe o gosto de ser só.
23/03/2010
Visco
É que às vezes não dá pra dizer. A língua trava, o pensamento emperra e só me resta te observar.
Queria dizer palavras doces, dessas que derretem na boca, pra você não me achar tão frígida, nem coração-de-pedra, mas a trava línga e o pensamento pára.
Gosto do seu carinho. Gosto tanto quanto gosto da sua brutalidade, ainda que ela não seja assim tão evidente pra quem te observa de fora pra dentro.
Meu bem, às vezes eu não consigo dizer, mas a palavra se torna um visco, um castigo, uma coisa que não consigo cuspir da garganta, martírio filho da puta que insiste em me tirar do sério.
Quero mais um abraço, mais um beijo, mais um tapa, mais de querer ser sua e querer ser meu.
Ai, ai de mim.
Queria dizer palavras doces, dessas que derretem na boca, pra você não me achar tão frígida, nem coração-de-pedra, mas a trava línga e o pensamento pára.
Gosto do seu carinho. Gosto tanto quanto gosto da sua brutalidade, ainda que ela não seja assim tão evidente pra quem te observa de fora pra dentro.
Meu bem, às vezes eu não consigo dizer, mas a palavra se torna um visco, um castigo, uma coisa que não consigo cuspir da garganta, martírio filho da puta que insiste em me tirar do sério.
Quero mais um abraço, mais um beijo, mais um tapa, mais de querer ser sua e querer ser meu.
Ai, ai de mim.
16/03/2010
Momento, caneta, papel
Ele toma um novo rumo. O que antes era um amontoado de caracteres melados e sem pudor de o ser, agora são polidos ou enferrujados, qualquer coisa, menos o que eram antes.
To aqui pensando que na maior parte do tempo, minha vida foi muito nojenta. A prova está no meu teclado, grudento de lágrima, suor, porra e saliva. Por entre as teclas, tem caspa, fio de cabelo, pedaço de unha e pele.
Caralho, faz quanto tempo que estou sentada aqui? Eu quero ler, fumar, sair, beber, trepar e encontrar mensagens subliminares nos gibis da Turma da Mônica.
Qual foi a ultima vez que me encontrei comigo mesma? Nem a minha respiração eu sinto mais. Quero meditar, ficar bêbada e tentar correr pelada em um capo de futebol. Ok, nada de campos de futebol (e nem de "cancela" o campo de futebol).
Vou deitar no chão, lamber o taco, encerar a sala com a língua. Empregada-submissa-alucinada, com o batom (na boca fina) vermelho borrado, quase que servindo de blush. Nem sei escrever "blush", só to virando moça agora, passei esse pó vermelho nas bochechas duas vezes na vida.
Minha bunda adormece na cadeira e eu dou graças à qualquer divindade por ele estar tomando um novo rumo. Vai continuar assim, prostituído, sujo, com cheiro de sexo de ontem, cheio de confissões. Mas agora, com um novo rumo. Já disse: polido ou enferrujado, qualquer coisa, menos o que era antes.
To aqui pensando que na maior parte do tempo, minha vida foi muito nojenta. A prova está no meu teclado, grudento de lágrima, suor, porra e saliva. Por entre as teclas, tem caspa, fio de cabelo, pedaço de unha e pele.
Caralho, faz quanto tempo que estou sentada aqui? Eu quero ler, fumar, sair, beber, trepar e encontrar mensagens subliminares nos gibis da Turma da Mônica.
Qual foi a ultima vez que me encontrei comigo mesma? Nem a minha respiração eu sinto mais. Quero meditar, ficar bêbada e tentar correr pelada em um capo de futebol. Ok, nada de campos de futebol (e nem de "cancela" o campo de futebol).
Vou deitar no chão, lamber o taco, encerar a sala com a língua. Empregada-submissa-alucinada, com o batom (na boca fina) vermelho borrado, quase que servindo de blush. Nem sei escrever "blush", só to virando moça agora, passei esse pó vermelho nas bochechas duas vezes na vida.
Minha bunda adormece na cadeira e eu dou graças à qualquer divindade por ele estar tomando um novo rumo. Vai continuar assim, prostituído, sujo, com cheiro de sexo de ontem, cheio de confissões. Mas agora, com um novo rumo. Já disse: polido ou enferrujado, qualquer coisa, menos o que era antes.
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