E o sorriso que eu contenho é tão difícil de se segurar! Mordo os lábios, deixo escapar soluços. Não vou sorrir agora, um pouco de paciência minha Flôr, o seu dia chega.
Música francesa, vinho e água de côco. Tudo era tão sem graça quando amarelo e alaranjado! Toma minha filha, um pedaço do meu giz vermelho, sê mulher!
Essa música dá pra escutar, hoje é um dia feito para o parque de diversões.
Wake me up when setember ends, é engraçado conter um sorriso.
Esperar o dia por um cigarro e fumá-lo pela metade.
Ouvir Jimi Hendrix no fim.
É só ter um cadinho de paciência minha Flôr, o seu dia ainda chega.
27/04/2009
26/02/2009
Cabelo solto e botinas nunca mais
Sinto saudades de tudo. De calçar botinas, de acordar com o cheiro de pizza caseira pela casa. De dormir com a minha mãe, de ter um chachorro chamado Coló e de jogar os talheres na fossa. Comer terra já foi divertido, assim como queimar minhocas com a pólvora que eu pegava escondida do meu avô.
Me cansei de correr e esconder debaixo da cama pra não ter que tirar bixo-de-pé. Cresci solta como um bixo do mato, andando com os primos pela roça, pela rua. Isso não quer dizer que não tive mãe... eu até apanhava pra tomar banho.
Ver televisão era o que eu mais gostava. Dormir sempre veio em segundo lugar.
Todos os gatos que eu achava na rua eram meus, por decreto oficial de mim mesma. Já comprei brigas com moleques encardidos e maiores que eu por causa de um desses gatos. Só não apanhei porque minha avó me defendeu. Quando fiz suco de papel crepom e dei pra eles beberem é que não me salvei. Apanhei de uns cinco, chorei pitangas o dia todo. Hoje eu acho isso tudo muito engraçado.
Engraçado mesmo foi quando colei o dedo do meu irmão com super cola. Ele passou dois dias com os dedos grudados e eu não tive nenhum remorso.
Dona Tonica vendia laranjinhas perto da minha casa e qualquer moeda que eu encontrava era motivo para ir à casa da velha comprar aquela laranjinha de cereja que eu amava.
Acho que esse tempo bom acabou quando tive meu primeiro namorado, aos doze anos.
Moça que namora não brinca na terra e nem joga bola na quadra do bairro Zulmira. Os gatos que eu tinha desapareceram e eu passei a me sentar de pernas cruzadas. Cabelo solto e botinas nunca mais. Sinto saudades de tudo.
Me cansei de correr e esconder debaixo da cama pra não ter que tirar bixo-de-pé. Cresci solta como um bixo do mato, andando com os primos pela roça, pela rua. Isso não quer dizer que não tive mãe... eu até apanhava pra tomar banho.
Ver televisão era o que eu mais gostava. Dormir sempre veio em segundo lugar.
Todos os gatos que eu achava na rua eram meus, por decreto oficial de mim mesma. Já comprei brigas com moleques encardidos e maiores que eu por causa de um desses gatos. Só não apanhei porque minha avó me defendeu. Quando fiz suco de papel crepom e dei pra eles beberem é que não me salvei. Apanhei de uns cinco, chorei pitangas o dia todo. Hoje eu acho isso tudo muito engraçado.
Engraçado mesmo foi quando colei o dedo do meu irmão com super cola. Ele passou dois dias com os dedos grudados e eu não tive nenhum remorso.
Dona Tonica vendia laranjinhas perto da minha casa e qualquer moeda que eu encontrava era motivo para ir à casa da velha comprar aquela laranjinha de cereja que eu amava.
Acho que esse tempo bom acabou quando tive meu primeiro namorado, aos doze anos.
Moça que namora não brinca na terra e nem joga bola na quadra do bairro Zulmira. Os gatos que eu tinha desapareceram e eu passei a me sentar de pernas cruzadas. Cabelo solto e botinas nunca mais. Sinto saudades de tudo.
26/11/2008
Desabafo

Desabafo
Eu disse que o amava. E que queria ser a melhor companheira que um homem desejaria ter. Ele sorri e me olha com a cara mais boba do mundo. Ele não quer mais nada, a não ser a única coisa que eu também quero. Fechamos os olhos. Nos beijamos pela mente, com a força do pensamento.
Eu amo você, eu amo você, eu amo você. Repito sem querer, umas mil vezes, tão devagar, que quase sinto o gosto das palavras na boca... e elas derretem, são mornas e doces.
13/11/2008
Eu sonhei com ele
Eu sonhei com ele
Dormir à tarde seria bom, não fosse pelos pesadelos que tenho.
Eu sonhei com ele. Justo ele. E havia quase cinco anos que eu o desconhecia.
13 de Junho (ou Julho) de 2003.
Ele está em uma festa, embriagado, a quase 200 quilômetros de sua casa. O álcool lhe sobe a cabeça e ele quer um peixe. Sai de carro, em direção à sua cidade, mais ou menos 1 e meia da madrugada. Ele é negro e tem uma filha de 10 anos de idade, que no outro dia ficaria sabendo da morte do seu pai, pela boca de gente que nunca tinha visto. Foi em uma curva. Traumatismo craniano, objeto contundente e mais um motivo que não me recordo agora.
No sonho ele veio de carro. Não consegui ver se era o carro do acidente. Havia tanto tempo que não nos encontrávamos que seu rosto parecia diferente. Não me recordo de nenhuma emoção quando o vi. Só sei que o abracei. E perguntei porque passou tanto tempo fora. Eu nunca havia sonhado com ele, essa era a minha chance de matar as saudades.
Onde esteve todo esse tempo, eu perguntei. Fui cuidar da minha vida, a resposta grossa que recebi.
Pai, eu pensei que tivesse morrido. Não, eu não morri, estou com você agora.
Meu pai está de volta, meu pai está de volta, meu pai está de volta e o despertador toca. Não, eu não quero acordar, mas já são sete da noite e o sonho tem que chegar ao fim.
Meu pai está de volta e eu não sei como se chora.
11/11/2008
Segredo
Segredo
O menino da carteira ao lado está rasgando um papel. Ele fez isso três vezes, dobrou ao meio e rasgou novamente. Seria um segredo? Se sim ou não, diferença não teria, pois acaba de ir pro lixo. Segredo no lixo não é segredo. Segredo no lixo é notícia. Duvida? Então eu te provo. Daqui a pouco, a faxineira pega esse lixo e coloca em um saco plástico. Esse saco pára em um enorme latão na porta da escola. Não demora muito e o caminhão da coleta aparece. O saco com o segredo se mistura e é prensado contra alimentos podres, restos de papel, garrafas de cerveja e preservativos usados. Até o fim da tarde, ele estará a céu aberto, agora não só em meio a lixo, mas também a pessoas. Pessoas que vasculham toda essa massa fétida em busca de algo que possam comer ou vender.
Um menino curioso se aproxima. Ele rasga o saco plastico com as mãos encardidas e sorri com os dentes amarelos á mostra. Encontra o papel picado, que dali a poucas horas, ele juntaria os pedaços e passaria a ser cúmplice. E o segredo não seria mais segredo, mas sim uma prova, uma marca, uma prisão, e, mais tarde uma NOTÍCIA.
Com os olhos arregalados levanta o papel com as mãos na direção da luz para ver melhor.
-Não pode ser.- Exclama enquanto perde a força das pernas.
Um menino curioso se aproxima. Ele rasga o saco plastico com as mãos encardidas e sorri com os dentes amarelos á mostra. Encontra o papel picado, que dali a poucas horas, ele juntaria os pedaços e passaria a ser cúmplice. E o segredo não seria mais segredo, mas sim uma prova, uma marca, uma prisão, e, mais tarde uma NOTÍCIA.
Com os olhos arregalados levanta o papel com as mãos na direção da luz para ver melhor.
-Não pode ser.- Exclama enquanto perde a força das pernas.
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