Cabelo escuro, encaracolado, caindo sobre o ombro. A alça do sutiã aparece, fina, cor de rosa que quer ser vermelha. Os seios, muito brancos, deixam aparecer veinhas azuladas que são discretas e tímidas. As unhas estão pintadas de um vermelho escuro, tão clichê quanto bonito, reluzente com duas camadas de esmalte.
Ela passa o corpete por trás das costas, e o segura com as pontas dos dedos para abotoar em frente os seios: está se vestindo. O tecido firme faz com que suas formas sejam realçadas e, de um outro ponto de vista, aprisionadas, remoldadas.
Não usa batom nos lábios, e, mesmo se usasse, não seria motivo pra impedir a quantidade de palavras torpes que de sua boca são lançadas. É que Maria Madalena (Madah, para os mais íntimos) não faz questão de ser fina.
Há quem diga que Maria precisa de uns bons tapas. Já teve vários homens, transou em todas as posições possiveis e em todos os estados de espírito existentes. Ela quase transpira sexo.
Se olha no espelho, ensaia seu melhor sorriso. Admira seu corpo refletido naquele pedaço medíocre de vidro e tem certeza de algo, um pensamento que há muito vaga a sua mente.
Ela quer alguém, mas não um alguém qualquer. Maria Madalena procura por alguém capaz de lhe roubar flores e de sobre a cama, além de a chamar de seus vários nomes e pseudônimos, dizer que a ama. Afinal de contas, Maria-prostituta também tem seus sentimentos.
06/01/2010
31/12/2009
2009
No primeiro dia de 2009, eu fiz aniversário. Comemorei ao lado de alguém especial, na casa de um amigo tatuador meio bêbado, ou bêbado e meio.
Me mudei de casa, de cidade, de vida. Conheci pessoas maravilhosas, pessoas que não quero esquecer nunca mais. Mas também perdi pessoas que amava.
Fiz loucuras, experimentei coisas que nunca tinha experimentado, tomei porres sozinha, abandonei o jiu-jitsu, fiz yoga.
Amei demais, me decepcionei demais. Descobri que nem sei quem é meu pai e também cheguei à conclusão que se ele estivesse vivo, estaria tocando pandeiro, cantando algo quente, familiar para mim.
Menti sobre dores pra ir embora da escola, senti tesão por quem não deveria, me masturbei escondida.
Peguei o Mário (atrás do armário), fui pro Suvaco do Brasil e fiquei louquíssima.
Ah, só eu sei o quanto foi gostoso e o quanto foi amargo.
Desenhei menos do que deveria, estudei menos ainda.
Corri atrás do que achei que deveria correr, experimentei novas linguas também.
Bati, apanhei, gemi, gritei.
Fugi para lugares paradisíacos e desertos, roubei, trepei pra valer, ri demais com as amigas que amo.
Dormi mais do que deveria, contei segredos que pensei que nunca ia contar.
Deixei as unhas crescerem, raspei a cabeça, arrombei a minha orelha.
Chorei muito pouco.
Mentira, eu chorei bastante.
Chorei quando beijei um pensando em outro, quando não senti amor, quando senti medo do escuro.
Contei até três 569456456421 vezes pra tomar coragem.
Tirei notas ruins na escola, fui reprovada no segundo ano do ensino médio.
Me cansei de escrever alguns textos e os terminei assim.
Me mudei de casa, de cidade, de vida. Conheci pessoas maravilhosas, pessoas que não quero esquecer nunca mais. Mas também perdi pessoas que amava.
Fiz loucuras, experimentei coisas que nunca tinha experimentado, tomei porres sozinha, abandonei o jiu-jitsu, fiz yoga.
Amei demais, me decepcionei demais. Descobri que nem sei quem é meu pai e também cheguei à conclusão que se ele estivesse vivo, estaria tocando pandeiro, cantando algo quente, familiar para mim.
Menti sobre dores pra ir embora da escola, senti tesão por quem não deveria, me masturbei escondida.
Peguei o Mário (atrás do armário), fui pro Suvaco do Brasil e fiquei louquíssima.
Ah, só eu sei o quanto foi gostoso e o quanto foi amargo.
Desenhei menos do que deveria, estudei menos ainda.
Corri atrás do que achei que deveria correr, experimentei novas linguas também.
Bati, apanhei, gemi, gritei.
Fugi para lugares paradisíacos e desertos, roubei, trepei pra valer, ri demais com as amigas que amo.
Dormi mais do que deveria, contei segredos que pensei que nunca ia contar.
Deixei as unhas crescerem, raspei a cabeça, arrombei a minha orelha.
Chorei muito pouco.
Mentira, eu chorei bastante.
Chorei quando beijei um pensando em outro, quando não senti amor, quando senti medo do escuro.
Contei até três 569456456421 vezes pra tomar coragem.
Tirei notas ruins na escola, fui reprovada no segundo ano do ensino médio.
Me cansei de escrever alguns textos e os terminei assim.
27/12/2009
24/12/2009
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