01/08/2009

Não.

Bebi duas cervejas, comi uma porção de mandioca com molho rosé, pimenta e pouco sal. Gastei quatorze reais, pensei nos mesmos assuntos, me lembrei dos mesmos problemas. Coisas de sempre. Cheguei no meu prédio, vi uma loira feia se matando de olhar no espelho, entrei no elevador quase tendo uma convulsão de tanto rir. Peguei um yakult, sentei no sofá e não gostei do mau-humorado programa de humor que passava na televisão. Vim para o computador, vi o status e cheguei à conclusão de que (ele) ainda não estava na frente da TV, vendo o maldito filme.
Engasguei com o yakult, coloquei "Stand by me", dei boa noite pra minha mãe e acabei de desligar a TV. Acho que agora é a hora.

30/07/2009

21 guns

É arma demais pra mim.


(música que cheira)

25/07/2009

Um copo de vidro, um fone de ouvido

Um copo de vidro, um fone de ouvido, uma garrafa de coca-cola, um sutiã. Tudo em cima da mesa.
Edredon ou edredom velho, frio na cabeça, nostalgia que eu não tenho vontade de deixar ir embora. Hoje é dia de se lembrar daquela rua com marcas de pneus de bicicleta no chão. A mesma que me levou e me trouxe. A rua, não a bicicleta.
Nunca fui de ouvir Nando Reis, to ouvindo só pra me matar. Me disseram que todo esse esforço pra se lembrar é vontade de esquecer. Achei bonito na hora, depois descobri que era letra de música e passei a achar meio banal, talvez verdadeiro.
Vai ver eu gosto de ficar me martirizando assim. É que é bom lembrar daquele perfume, é divertido lembrar dos malucos correndo pelados no campo de futebol. Já faz tanto tempo que eu mal acredito, nem do rosto me lembro mais.
E agora estou me esforçando pra me lembrar. E talvez eu queira mesmo esquecer. E talvez eu só esteja escrevendo isso querendo acreditar que o blog é abandonado, mas no fundo com a esperança de isso ser lido.

Já passou, eu nem me lembro mais.

24/07/2009

Lista das coisas que roubei da minha casa

- Três fotografias; duas minhas de quando pequena e uma do meu irmão, com cinco anos de idade e mão dada à uma namoradinha;
- Um pedaço de papel encardido onde eu escrevi no ano de dois mil e dois, um recado pro meu pai;
- Cinco notas de cinco reais;
- Um relógio-despertador velho;
- Lápis de cor do meu irmão;
- Dois pares de sapato;
- Um blusa da minha mãe que por sinal fica muito bem em mim;
- Alguns pincéis;
- Cartelas de AS. (AS= remédio infantil da embalagem cor-de-rosa e docinho)

Agora é tudo meu.

15/07/2009

Setenta e duas vezes ou mais

Depois que eu liguei pra minha mãe chorando e contando onde estava, entrei no mini mercado pra comprar o passe. O dinheiro, que foi emprestado do porteiro do meu prédio, sobrou ao ponto de dar pra comprar um chocolate.
Sentei no meio fio, eu já não estava mais chorando. Abri o chocolate e me lembrei que comendo aquilo, teria no sangue a mesma quantidade de endorfina que é liberada durante um orgasmo.
Um monte de folhas secas no chão, a árvore das flores cor-de-rosa estava à minha frente, sempre imponete e florida, dessa vez povoada por periquitos. Eles gritavam, comiam os frutos, jogavam as flores ao chão, faziam festa. Ou riam de mim, ou pediam pra eu nunca mais fazer o que eu fiz.
Então eu pude perceber que alheio à tudo, o mundo continuava. As pessoas passavam por mim, os carros iam por onde deveriam ir, as nuvens se moviam, as horas do meu celular mudavam.
Um menininho riu da minha falta de cabelos, eu ri de volta pra ele. Fingi que era um gato, ameacei pegá-lo e o pobre saiu correndo.
Se toca garota, começa a rir, vai te fazer bem. Eu repetia isso mentalmente, duvidando que daria certo, umas setenta e duas vezes ou mais.
Respirei fundo, engoli aquela merda de choro. Larga de ser idiota, eu disse pra mim. Tomei o onibus e nunca mais quis ser louca.