É hora de escrever.
Existe algo melhor do que ouvir uma música que tem cheiro?
...
...
Tá.
Quem aqui já ouviu uma música que tenha cheiro que levante a mão.
Droga, eu sabia que seriam poucos!
Estão vendo? Se fosse um número considerável de pessoas, eu até falaria sobre isso.
Vou dormir.
16/05/2009
14/05/2009
É hora de contar carneiros
Eu já fumei todos os cigarros e ouvi todos os sambas que poderia. É hora de contar carneiros.
Quero colocar os pés na terra, no pó fino e morno.
Já me decidi. Da proxima vez que eu voltar em casa, pego o pandeiro do meu pai e o trago comigo. O tesouro daquele negro, com a bandeira do Brasil e a nota fiscal que eu nunca tirei da bolsa agora vai estar mais proximo de mim.
É o batuque que ouço. Estou no meu quintal, debaixo do velho pé de jaboticaba. O chão é frio por causa da sombra, aqui cheira terra. Aqui é que é meu lugar, estão todos lá dentro fazendo pizza, em cima da mesa de mármore que eu vou quebrar mais tarde, com 9 anos de idade.
Que estranho, eu pensei que meu coelho havia morrido, mas por sinal, ainda não foi pisado pela minha tia gorda.
Será que meus dentes estão em cima do telhado? Mamãe dizia que pra nascer outro, era preciso jogár os velhos em cima da casa.
Esse quintal de cimento que há muito eu desconhecia agora me é tão familiar...
Não preciso chorar mais por causa do meu pitangueiro, meu avô ainda não o podou. A pólvora deve estar no lugar de sempre, assim como meu cavalinho de pau e o papagaio mal'acostumado.
Por deus, eu quero morrer aqui.
Quero colocar os pés na terra, no pó fino e morno.
Já me decidi. Da proxima vez que eu voltar em casa, pego o pandeiro do meu pai e o trago comigo. O tesouro daquele negro, com a bandeira do Brasil e a nota fiscal que eu nunca tirei da bolsa agora vai estar mais proximo de mim.
É o batuque que ouço. Estou no meu quintal, debaixo do velho pé de jaboticaba. O chão é frio por causa da sombra, aqui cheira terra. Aqui é que é meu lugar, estão todos lá dentro fazendo pizza, em cima da mesa de mármore que eu vou quebrar mais tarde, com 9 anos de idade.
Que estranho, eu pensei que meu coelho havia morrido, mas por sinal, ainda não foi pisado pela minha tia gorda.
Será que meus dentes estão em cima do telhado? Mamãe dizia que pra nascer outro, era preciso jogár os velhos em cima da casa.
Esse quintal de cimento que há muito eu desconhecia agora me é tão familiar...
Não preciso chorar mais por causa do meu pitangueiro, meu avô ainda não o podou. A pólvora deve estar no lugar de sempre, assim como meu cavalinho de pau e o papagaio mal'acostumado.
Por deus, eu quero morrer aqui.
06/05/2009
Truth
Eu não escuto a mesma música por tanto tempo assim, ela está apenas pausada.
A voz me impressiona, toca mais que as letras. Ouvindo uma voz dupla e pensando em como não escrever um texto que se pareça com um parto prematuro.
Eles pressionam a língua contra os dentes para pronunciar "truth" (é assim que se escreve?).
Falando em calafrio na costela, eu acabo de puxar os meus cabelos. Na desinência de um parceiro, crie ele pra você. Odeio quando as coisas são doces demais. Quando são mornas e doces e derretem na boca, me delicio. Quando apenas doces, sinto a língua viscosa, quente, dormente.
Tudo bem, se quiser eu troco de música, não, não se aflija, já estou trocando, é, estou trocando.
É melhor eu parar de mecher no cabelo.
A voz me impressiona, toca mais que as letras. Ouvindo uma voz dupla e pensando em como não escrever um texto que se pareça com um parto prematuro.
Eles pressionam a língua contra os dentes para pronunciar "truth" (é assim que se escreve?).
Falando em calafrio na costela, eu acabo de puxar os meus cabelos. Na desinência de um parceiro, crie ele pra você. Odeio quando as coisas são doces demais. Quando são mornas e doces e derretem na boca, me delicio. Quando apenas doces, sinto a língua viscosa, quente, dormente.
Tudo bem, se quiser eu troco de música, não, não se aflija, já estou trocando, é, estou trocando.
É melhor eu parar de mecher no cabelo.
27/04/2009
Devaneio
E o sorriso que eu contenho é tão difícil de se segurar! Mordo os lábios, deixo escapar soluços. Não vou sorrir agora, um pouco de paciência minha Flôr, o seu dia chega.
Música francesa, vinho e água de côco. Tudo era tão sem graça quando amarelo e alaranjado! Toma minha filha, um pedaço do meu giz vermelho, sê mulher!
Essa música dá pra escutar, hoje é um dia feito para o parque de diversões.
Wake me up when setember ends, é engraçado conter um sorriso.
Esperar o dia por um cigarro e fumá-lo pela metade.
Ouvir Jimi Hendrix no fim.
É só ter um cadinho de paciência minha Flôr, o seu dia ainda chega.
Música francesa, vinho e água de côco. Tudo era tão sem graça quando amarelo e alaranjado! Toma minha filha, um pedaço do meu giz vermelho, sê mulher!
Essa música dá pra escutar, hoje é um dia feito para o parque de diversões.
Wake me up when setember ends, é engraçado conter um sorriso.
Esperar o dia por um cigarro e fumá-lo pela metade.
Ouvir Jimi Hendrix no fim.
É só ter um cadinho de paciência minha Flôr, o seu dia ainda chega.
26/02/2009
Cabelo solto e botinas nunca mais
Sinto saudades de tudo. De calçar botinas, de acordar com o cheiro de pizza caseira pela casa. De dormir com a minha mãe, de ter um chachorro chamado Coló e de jogar os talheres na fossa. Comer terra já foi divertido, assim como queimar minhocas com a pólvora que eu pegava escondida do meu avô.
Me cansei de correr e esconder debaixo da cama pra não ter que tirar bixo-de-pé. Cresci solta como um bixo do mato, andando com os primos pela roça, pela rua. Isso não quer dizer que não tive mãe... eu até apanhava pra tomar banho.
Ver televisão era o que eu mais gostava. Dormir sempre veio em segundo lugar.
Todos os gatos que eu achava na rua eram meus, por decreto oficial de mim mesma. Já comprei brigas com moleques encardidos e maiores que eu por causa de um desses gatos. Só não apanhei porque minha avó me defendeu. Quando fiz suco de papel crepom e dei pra eles beberem é que não me salvei. Apanhei de uns cinco, chorei pitangas o dia todo. Hoje eu acho isso tudo muito engraçado.
Engraçado mesmo foi quando colei o dedo do meu irmão com super cola. Ele passou dois dias com os dedos grudados e eu não tive nenhum remorso.
Dona Tonica vendia laranjinhas perto da minha casa e qualquer moeda que eu encontrava era motivo para ir à casa da velha comprar aquela laranjinha de cereja que eu amava.
Acho que esse tempo bom acabou quando tive meu primeiro namorado, aos doze anos.
Moça que namora não brinca na terra e nem joga bola na quadra do bairro Zulmira. Os gatos que eu tinha desapareceram e eu passei a me sentar de pernas cruzadas. Cabelo solto e botinas nunca mais. Sinto saudades de tudo.
Me cansei de correr e esconder debaixo da cama pra não ter que tirar bixo-de-pé. Cresci solta como um bixo do mato, andando com os primos pela roça, pela rua. Isso não quer dizer que não tive mãe... eu até apanhava pra tomar banho.
Ver televisão era o que eu mais gostava. Dormir sempre veio em segundo lugar.
Todos os gatos que eu achava na rua eram meus, por decreto oficial de mim mesma. Já comprei brigas com moleques encardidos e maiores que eu por causa de um desses gatos. Só não apanhei porque minha avó me defendeu. Quando fiz suco de papel crepom e dei pra eles beberem é que não me salvei. Apanhei de uns cinco, chorei pitangas o dia todo. Hoje eu acho isso tudo muito engraçado.
Engraçado mesmo foi quando colei o dedo do meu irmão com super cola. Ele passou dois dias com os dedos grudados e eu não tive nenhum remorso.
Dona Tonica vendia laranjinhas perto da minha casa e qualquer moeda que eu encontrava era motivo para ir à casa da velha comprar aquela laranjinha de cereja que eu amava.
Acho que esse tempo bom acabou quando tive meu primeiro namorado, aos doze anos.
Moça que namora não brinca na terra e nem joga bola na quadra do bairro Zulmira. Os gatos que eu tinha desapareceram e eu passei a me sentar de pernas cruzadas. Cabelo solto e botinas nunca mais. Sinto saudades de tudo.
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