vaiiiiiiii logiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiin
caralho, eu tinha esquecido a senha, esqueci como se escrevia aqui, esqueci onde começava uma nova postagem
meu deus, meus dedos não acompanham o meu pensamento, tudo o que tenho é um turbilhão de pensamentos
eu to sozinha em casa de novo, do jeito que sempre estive, esse jeito tão gostoso, ouvindo minhas músicas, bebendo suco vagabundo de pozinho, tudo bagunçado, entregue à lembranças
eu nem consigo pontuar isso aqui, eu quero chorar, chorar muito
como tudo passou e eu não percebi? tá tudo indo rápido demais
eu não quero que acabe nunca, nunca mesmo.
eu quero respirar fundo e quero que meu folego dure pra sempre, quero que caiba todo o ar do mundo nos meus pulmões
gente, que vida engraçada essa minha. eu tenho as mesmas músicas de SEIS ANOS atrás no meu pc, nada mudou.
mudou de nome, de cara, de idade, mas é a mesma coisa
a mesma janela, a mesma vista, tudo
agora eu tenho cabelo e umas tatuagens a mais, mas pqp como pude não perceber que eu sou a mesma?
preciso me reecontrar, preciso sair com as minhas amigas, eu não posso ficar assim
ai, puta que me pariu, que isso
porque eu sempre tenho essa necessidade de voltar pra lake charles e try to get you? parece que todo mundo abstrai, só eu que fico nessa de apenas reciclar emoções, ocasiões
me conta, com você as coisas são novas?
31/10/2011
23/07/2011
Quem começou me dando o primeiro beijo da minha vida me traiu.
Quem começou me colocando pra dormir e passando a chave por debaixo da porta quando ia embora, me traiu.
Quem começou me olhando de longe numa festa à fantasia me traiu.
No fim das contas, quem não me traiu foi quem começou me devendo. Me devendo cinco centavos.
22/07/2011
Outros "vários outros"
Dead Meadow.
Olhei várias vezes nos olhos de vários outros enquanto escutava a mesma música. Percorri com os dedos a pele dos outros, tentando estar realmente com os outros. Abaixei a cabeça no peito de outros, respirei fundo várias vezes.
Esse sentimento tem me dado uma boa trégua, mas de vez em quando parece que assopra no meu olho, só pra me fazer chorar, como se dissesse: "Eu ainda estou aqui, não vou deixar que finja que nunca existi".
A cabeça encostada, os olhos nos olhos, a boca na boca e o pensamento a alguns quilômetros de distância ou ha alguns anos atrás.
06/07/2011
Páscoa
Dentro do ônibus.
Do lado de um negão.
Entra o velho fedorento que fez todo mundo se torcer o nariz.
Ele conversa cuspindo, fazendo barulho de peido com a boca.
Eu abaixo a cabeça pra não ter que encarar aquele rosto desprezível. Puta que me pariu, que velho fedido.
O desgraçado começa a contar uma história sobre sua mulher que está internado do hospital do câncer e que ele precisa de dinheiro pra comer, pra voltar pra casa, pra comprar arroz, cigarro, bebida, crack, sei lá.
Um detalhe importante é que ele não olha pras pessoas, olha pro chão. Ou melhor, olha pro nada. Só a cabeça é que está virada em direção ao chão, mas seu olhar é vazio. Talvez estivesse bêbado.
Começo a respirar pela boca, o velho fede demais e o povo tem nojo de encostar nele. As pessoas dão a volta para sair pelo outro lado do ônibus.
Eu subo o som, o fone de ouvido no máximo faz parecer que a cena é coisa de filme. Uma música triste e o velho falando, gesticulando, cuspindo e coçando o saco. Eu me divirto.
Me levanto, me desvio com dificuldade e saio do onibus.
Venho o caminho pra casa pensando em como escrever esse texto, com a sandália acabando com o meu pé.
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