13/07/2011

Herói etílico.
Não fui eu quem disse, mas to começando a achar que sim.

06/07/2011

Páscoa

Dentro do ônibus.
Do lado de um negão.
Entra o velho fedorento que fez todo mundo se torcer o nariz.
Ele conversa cuspindo, fazendo barulho de peido com a boca.
Eu abaixo a cabeça pra não ter que encarar aquele rosto desprezível. Puta que me pariu, que velho fedido.
O desgraçado começa a contar uma história sobre sua mulher que está internado do hospital do câncer e que ele precisa de dinheiro pra comer, pra voltar pra casa, pra comprar arroz, cigarro, bebida, crack, sei lá.
Um detalhe importante é que ele não olha pras pessoas, olha pro chão. Ou melhor, olha pro nada. Só a cabeça é que está virada em direção ao chão, mas seu olhar é vazio. Talvez estivesse bêbado.
Começo a respirar pela boca, o velho fede demais e o povo tem nojo de encostar nele. As pessoas dão a volta para sair pelo outro lado do ônibus.
Eu subo o som, o fone de ouvido no máximo faz parecer que a cena é coisa de filme. Uma música triste e o velho falando, gesticulando, cuspindo e coçando o saco. Eu me divirto.
Me levanto, me desvio com dificuldade e saio do onibus.
Venho o caminho pra casa pensando em como escrever esse texto, com a sandália acabando com o meu pé.

18/01/2011

Estava no consultório, esperando a safada da médica que atrasou três horas e meia. Gastei meu último tostão para chegar à tempo, chorei pro taxista me deixar o mais próximo possível do hospital e quando percebi que a médica não iria, desisti.

Antes de resolver voltar pra casa, tive tempo de sobra de reviver todas as minhas frustrações e quase morrer de raiva de todas as idiotices que já fiz na vida. E foi aí que reforcei a idéia de escrever um texto sobre as maiores burradas que eu, Maria Madalena, já cometi.

Acontece que o que prevalecia na minha cabeça não era coisa alguma sobre arrependimento, e sim um monte de caralhos grandes, grossos e com veias saltadas, todos provenientes da cabeça de Bukowski, que está me fazendo uma lavagem cerebral. Tá, nem tanto. O Rubem Fonseca é bem melhor que ele, só por causa daquele conto onde se veste de bombeiro para estuprar uma ingênua mocinha que atende a porta de toalha.

(Queria muito estar com dor de cotovelo, pra esse texto fluir bastante. Eu gosto quando o texto flui. Gosto quando o texto flui, quando a pica entra, quando o tapa soa alto, quando encontro meus incensos e quando o Mingau, meu gato, deixa que eu faça carinho em seu pêlo.)

Enfim, nessa vida, tudo é caralho. Eu, que já não tenho vida sexual há um mês, to sentindo falta das estocadas que o último me dava. Eu nunca vi ninguém foder daquele jeito, com aquela vontade. Eu tenho certeza que ele quase morria de dor de viado, mas continuava mesmo assim. E quando gozava, ficava com os olhos perdidos no teto, urrava feito um louco e metia fundo, segurando o pau lá dentro, fazendo meu corpo sair do colchão, do tanto que me empurrava pra cima.

Hoje eu vou me afogar no sorvete e no vinho barato. Quero dormir e esquecer que to jogando a vida fora.

05/01/2011

Eu não consigo desenhar, eu não consigo escrever. Ano passado eu não fiz nada, só um desenho e alguns poucos textos.
Esqueci as senhas dos meus pseudonimos, esqueci onde guardei meus lápis.
Eu simplesmente não sei mais quem é Madah, não sei pra que tenho tanto papel em casa, não sei como usar tinta, não to com vontade de nada.
Vai ser um perigo morar no décimo segundo andar.

27/10/2010

Tweet não esperado

Depois de um dia ruim, nada melhor que ter a notícia que sua casa foi invadida por uma pessoa que colocou cervejas para gelar.
De agora pra frente, eu to de volta.