04/07/2009

Das antigas. Fevereiro de 2008.

Ela sempre permaneceu imóvel. Ficava em cima da escrivaninha. Muda e hirta como sempre. O papel já estava desgastado e havia manchas sobre ele. Não era uma impressão muito boa, tinha os tons das cores meio fora do padrão, deixando o beijo mais cor-de-rosa que o normal. Tinha seus lados dobrados com pouco primor. Um vinco no centro formava duas metades que se sustentavam.
Trazia consigo uma mancha desbotada em cima do ombro da menina. Partia do centro e se espalhava em forma de gotículas. Parecia água, quem sabe uma lágrima.
Se encontrava entitulada da seguinte maneira: "Alê e Totoin, te amo porque é só você."
Me espanta o conteúdo de um simples pedaço de papel. Afinal, não passava de uma imagem congelada. Apenas uma fotografia. Calada. Quieta.

20/06/2009

Sou foda.

Tou onde quero, como eu quis. Falo com quem quero, na hora que quero. Bebo o que quero, fumo o que quero, durmo se quiser. Tenho minha familia e alguns poucos amigos. Pro inferno. Sou foda e ele não vai me botar pra baixo.

08/06/2009

É só uma vez no mês

O texto pode ser prematuro, daqueles que só saem em dia de TPM (deus queira que eu esteja de TPM), a arte pode ser solitária e egoísta e a ressaca moral pode ser apenas ironia do destino. Basta que todas as mudanças aconteçam pra que as coisas continuem como estavam.

Dor na coluna, lenço no pescoço, faz frio aqui. Isqueiro, cigarro, relógio, sofá, televisão, cinzeiro reciclado, fumaça. Lâmpada, mosquito, faz frio aqui. Chão gelado, janela fechada agora. Cadeira, computador, windows media player, música. Unha na boca, dedo na boca, cigarro. Piso marrom, dor na coluna, chão gelado, sofá, televisão. Cigarro apagado, isqueiro, cigarro aceso. Cigarro no fim. Bocejo. Escuro.

26/05/2009

Pronto

Pronto. Do branco e vermelho fez-se o rosa. Rosa é gay, mas a gente taca preto por cima e um pouco de verde, fazemos um gnomo, um caramujo e uma flôr. Depois disso, os dedos grudando de tinta, duas latinhas de leite condensado e um cigarro bastam.

21/05/2009

Letra da música

Estou sentada, corcunda, com o rosto melado de chorar e pensando em como escrever isso da forma menos idiota possivel. Eu nem sei se ainda tenho algo pra escrever, to com vontade de pular do quinto andar. Não ria, é o ultimo andar do meu prédio.
Nada mais perturbador do que uma mudança de estado civil e eu não estou falando de mim. Onde está você agora? Não, eu não estou perguntando, é só a letra da música, não pense que estou sentindo sua falta.

Chega de contradições, não me aguento mais.